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A importância do feedback para o professor

  • Bilinguismo

Você já se sentiu numa encruzilhada, com tantas opções de caminhos e sem ter certeza de qual direção seguir? Na rotina diária de professores, a sala de aula oferece uma variedade de situações nas quais precisamos tomar decisões imediatas.

Porém, nem sempre temos a real dimensão do impacto de nossas ações e práticas pedagógicas, das peculiaridades de alunos individuais ou da dinâmica entre grupos de alunos. Desta forma, a intervenção de uma visão externa, na forma de feedback para o professor, nos possibilita um olhar mais amplo.

Qual o papel de observações de aulas para o processo de feedback?

Durante a formação de docentes, uma prática comum para o desenvolvimento dos mesmos são as observações de aula. O papel de mentor pode ser exercido por um professor de faculdade, um treinador, um par mais experiente, um coordenador pedagógico, um diretor acadêmico ou mesmo um profissional de outra área similar. Idealmente, é essencial que professor e mentor discutam previamente os objetivos da observação para alinharem suas expectativas e necessidades. 

Em um programa bilíngue, usualmente professores sinalizam previamente que seus alunos não gostam de interagir em sala de aula utilizando o inglês e tendem a utilizar a língua materna. Um exemplo de objetivo de observação de aula seria investigar as oportunidades de interação entre alunos e a condução de atividades de prática oral na segunda língua.

Esse recorte possibilita um olhar mais aprofundado sobre práticas existentes ou inexistentes, sem limitar outras descobertas e olhares, produzindo dados relevantes e personalizados para o educador. 

De quais formas deve ser fornecido o feedback aos professores?

Um dos grandes desafios do mentor é conduzir o momento de feedback, seja oralmente ou por escrito, de forma apropriada e objetiva, pontuando as boas práticas daquele professor e priorizando as necessidades de melhoria. É necessário o estabelecimento de uma relação de confiança e respeito mútuo entre ambas as partes, para que haja entendimento, trocas e receptividade às sugestões. 

feedback para o professor

Dentre as possíveis formas de feedback estão: 

Diretivo: No feedback diretivo, o mentor detém o controle. Seu papel é destacar as boas práticas e técnicas de sucesso do professor, além de indicar as áreas e habilidades em que o mesmo necessita aprimorar ou desenvolver, oferecendo exemplos práticos.

Esse formato funciona bastante em formações iniciais, desde que o mentor consiga engajar o professor com questionamentos, reflexões e planos de ação viáveis, significativos e pertinentes.

Alternativo: No feedback alternativo, o papel do mentor é focar na aula específica e ajudar o professor a pensar em técnicas ou idéias alternativas para segmentos da aula observada. Essas alternativas podem ser geradas por ambos, mas a responsabilidade pela escolha e experimentação de alternativas futuras recai no professor.

Colaborativo: O feedback colaborativo é muito similar ao modelo alternativo. A principal diferença está no fato de que, no colaborativo, o mentor e professor decidem em conjunto sobre as ações alternativas futuras, ou seja, eles dividem essa responsabilidade.

Não-diretivo: No modelo não-diretivo, o papel do mentor é levar o professor a alcançar suas próprias conclusões e a elaborar sugestões para seus problemas de sala de aula. O mentor geralmente escuta e faz perguntas ao professor, levando-o a tomar suas próprias decisões. Esse formato funciona muito com professores mais experientes, visto que é mais fácil elaborar ações embasadas em práticas já vivenciadas. 

E qual o papel do professor durante o processo de feedback?

O professor possui um papel crucial para que o momento de feedback seja realmente proveitoso e tenha o potencial para impactar as suas práticas. Primeiramente, é importante que o educador reflita sobre a aula observada antes do momento de feedback.

O que funcionou bem? Como os alunos reagiram? Os objetivos da aula foram alcançados? O que não funcionou? O que poderia ser alterado em uma aula futura? E o que seria investigado?  Essas reflexões prévias abrem um canal de diálogo entre mentor e professor, estruturando uma agenda de feedback compartilhada.  

Além disto, o docente também necessita ter interesse em se desenvolver, estar aberto a sugestões de melhoria, sem levar críticas construtivas para o lado pessoal, e ter disposição interna para executá-las.

Por fim, a implementação de novas práticas pedagógicas oferece ao professor uma nova oportunidade de autorreflexão e de feedback, desta vez, reportando ao seu mentor sobre suas tentativas e acertos. Este, por sua vez, refletirá sobre a eficácia de suas sugestões, modificá-las quando necessário e apoiar o educador novamente para novas ações.

Feedback de qualidade é uma jornada de autoconhecimento e um processo de duas vias, que leva ao desenvolvimento de competências profissionais e interpessoais de ambas as partes envolvidas.


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