BNCC: entendendo os conceitos de competência e habilidade
Educação
qui ago 13
Marcela Nesello
Marcela Nesello

Marcela Nesello

Graduada em Letras pela Universidade de Caxias do Sul e Mestre em Linguística Aplicada pela PUCRS. Com 18 anos de experiência na área de Educação Bilíngue, atua como Coordenadora Pedagógica no Edify. Foi Teaching Assistant da Fulbright (FLTA), tendo, assim, lecionado Língua Portuguesa em nível universitário nos EUA. Possui a certificação internacional CPE e é membro do Braz-TESOL. É apaixonada por viagens, livros e filmes de suspense e musicais da Broadway.

Marcela Nesello

BNCC: entendendo os conceitos de competência e habilidade

Atualmente, a Base Nacional Comum Curricular, ou BNCC, é, sem sombra de dúvida, o mais importante e desafiador documento da educação no país. Compreender seus princípios é crucial para aplicá-la com eficiência em sua escola e sala de aula. Vamos, então, conversar um pouquinho sobre o que são competências e habilidades, os conceitos-chave que norteiam todo o documento? 

O que são competências e habilidades?

Você já pegou carona com um motorista que conseguia trocar as marchas e se orientar no trânsito, mas que não era um bom motorista? Você ficou com uma sensação de não conseguir explicar porque essa pessoa não era um bom motorista, já que ela conseguia realizar as funções básicas do veículo? Ficou com a sensação de que algo faltava, mas você não conseguia explicar exatamente o quê? 

Basicamente, essa pessoa tem a habilidade de trocar as marchas, de usar os espelhos, mas não deu o “pulo do gato” para ter a competência de ser um bom motorista. Se ela praticar suas habilidades constantemente, pedir dicas a amigos e ler sobre o assunto, muito provavelmente chegará o dia em que será um bom motorista. Esse exemplo nos explica bem a diferença entre habilidade e competência: o primeiro é algo mais prático e mais tangível, enquanto que o segundo é mais subjetivo e pessoal. E é por meio do exercício de habilidades específicas que chegamos a desenvolver uma competência. 

Nesse assunto, a grande referência é Philippe Perrenoud, doutor em sociologia e antropologia e professor da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Genebra. Ele já esteve no Brasil e falou sobre a Educação em nosso país nessa entrevista

As Competências Gerais da BNCC

Mas como podemos, então, garantir que as 10 competências gerais da BNCC cheguem em nossa sala de aula? Pelos conceitos explicados acima e pela entrevista de Perrenoud, vemos que é preciso oferecer oportunidades para que o aluno pratique habilidades que o levarão até a competência

Se pensarmos, por exemplo, na Competência Geral número nove, Empatia e Cooperação, fica bastante abstrato e complexo, como professor, me perguntar “Como se ensina empatia? ”. Mas se eu me perguntar “Que habilidades posso praticar com meu aluno para que ele desenvolva empatia?”, a tarefa fica mais fácil. Assim eu posso ver, por exemplo, que escuta ativa é uma habilidade que leva à empatia. Posso, portanto, realizar uma atividade em que meus alunos ouvirão os colegas relatando uma necessidade e desenvolverão um projeto para atendê-la, por exemplo. 

Os benefícios de atividades como essa são múltiplos: além das Competências Gerais, trabalham com habilidades socioemocionais. É por esse motivo que as Metodologias Ativas nos trazem algumas das melhores formas de desenvolver habilidades e competências em sala de aula.

Metodologias Ativas para desenvolver Habilidades e Competências 

Abordagem Baseada em Projetos, Design Thinking, Gamificação, Sala de Aula Invertida…. Certamente você já ouviu esses termos, e é por um bom motivo: as etapas dessas metodologias permitem que os alunos trabalhem com todas ou quase todas as 10 Competências Gerais da BNCC durante seu desenvolvimento. Gostaria de mais informações? Baixe nossa REVISTA GRATUITA com artigos completos sobre a origem e a aplicação das Metodologias Ativas.

 Autonomia na Educação

Mas por que fazemos tudo isso? Por que, como nação, adotamos um documento tão complexo e desafiador para a Educação? A resposta é: porque queremos desenvolver a autonomia do nosso aluno, a fim de que a escola seja um ambiente de experiências de vida. É dessa forma que garantiremos que nosso aluno seja um cidadão ativo e um ser humano físico e mentalmente saudável, capaz de triunfar na diversidade e atuar como agente de melhora social para todos.

Compartilhar:

Comentários:

* Campos obrigatórios.

Seja o primeiro a comentar esse conteúdo e ajude nossos leitores a criar um debate construtivo.

Artigos relacionados

Editora brasileira vence o “Oscar” dos Materiais Didáticos de 2020
Educação

Editora brasileira vence o “Oscar” dos Materiais Didáticos de 2020

A Learning Factory, editora responsável pela produção dos materiais didáticos do Edify trouxe para o Brasil o…

Leia Mais

Making learning visible: 5 ideias para dar visibilidade ao aprendizado dos alunos
Educação
qui out 15 Marcela Nesello

Making learning visible: 5 ideias para dar visibilidade ao aprendizado dos alunos

Como professores e gestores escolares, o aprendizado de nossos alunos é muito claro para nós, não é mesmo? Sabemos exatamente quanto e em quais…

Leia Mais

Gamificação nas Escolas: estratégias para fomentar a autonomia
Educação
ter out 6 Carol Christino

Gamificação nas Escolas: estratégias para fomentar a autonomia

Como uma criança nascida nos anos 80, eu vivi o surgimento dos jogos de videogame e computador. Mas antes mesmo dessa revolução tecnológica…

Leia Mais