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Mitos e verdades sobre a educação bilíngue

  • Bilinguismo

Há décadas o aprendizado de outras línguas – especialmente o inglês, mas também espanhol, francês e mandarim – se tornou um grande diferencial para conseguir espaço no mercado de trabalho e na cultura mundial.

Nesse contexto, a educação bilíngue despontou em vários países e o mesmo ocorreu no Brasil onde o crescimento das escolas bilíngues é considerável, em um mercado cujo intuito é ampliar a difusão da segunda língua em uma metodologia de ensino bilíngue.

Diversas escolas particulares têm firmado parcerias com empresas que proveem a metodologia de ensino bilíngue. No entanto, como toda novidade, a educação bilíngue é alvo de diversos mitos que surgem na imaginação de pais e educadores que nem sempre são fundados nos estudos pedagógicos e na verdadeira prática educacional. 

Pensando nesse importante contexto, preparamos esse artigo com os cinco principais mitos e verdades a respeito da educação bilíngue. Dê uma olhada abaixo e aprenda um pouco mais a respeito da metodologia de ensino bilíngue e seus efeitos educacionais!

1. O estudo de uma nova língua pode prejudicar o aprendizado geral?

Um dos maiores mitos que rodeiam a educação bilíngue é a ideia de que a exposição dos alunos a mais de uma língua pode gerar problemas de fala, dificuldade de aprendizado ou dificuldade de desenvolvimento linguístico. Existem pessoas que consideram que as crianças só possuem a capacidade de desenvolver uma língua de cada vez.

Mas, isso é um mito! Existem pesquisas realizadas que demonstram que não existe nenhuma relação entre a educação bilíngue e problemas de fala e dificuldades de aprendizado. Além disso, mesmo crianças com problemas de fala em sua língua materna podem demonstrar eficácia no aprendizado bilíngue.

Crianças com problemas de fala ou de linguagem costumam apresentar dificuldades com as duas línguas, e não existem evidências de que a educação bilíngue pode causar esse efeito.

2. O aprendizado de um novo idioma pode confundir a criança?

Mito. Outra ideia que rodeia as discussões informais a respeito da metodologia de ensino bilíngue é a de que as crianças começam a se confundir na comunicação. Isso porque, ao utilizar as duas línguas com frequência, algumas misturas ortográficas e gramaticais podem ocorrer. Uma criança inserida na educação bilíngue antes dos 4 anos de idade pode misturar os idiomas e dizer frases como “Eu want doce”.

Isso acontece, porque a criança bilíngue tem um repertório linguístico maior, o que gera uma antecipação da consciência metalinguística, ou seja, a capacidade de perceber que um objeto possui palavras diferentes para representá-lo.

Devido à flexibilidade cognitiva desenvolvida e à plasticidade cerebral, a criança bilíngue fará a escolha lexical com a qual se sente mais confortável (pode ser uma palavra em português ou em outra língua, como o inglês).

Algumas razões para tal escolha são o grau e tempo de exposição a determinados vocábulos e expressões; aspectos socioemocionais, ou seja, a forma como a criança teve contato inicial com determinadas palavras faz com que o filtro afetivo facilite a escolha.

Há ainda a questão fonológica, que contribui para que a criança faça a escolha de palavras baseada na distinção de sons. Mas misturar os dois idiomas não é um problema, muito pelo contrário! Com o tempo, a criança aprenderá naturalmente a diferenciar os idiomas, entendendo os momentos em que deve usar um ou outro. Esse aspecto inclusive ajuda na incorporação do idioma à vida cotidiana e pode ser muito útil para o desenvolvimento cognitivo.

3. A educação bilíngue amplia sua visão de mundo?

Verdade. Um idioma, mais do que um código para se referir ao mundo, é uma forma de pensar, de entender e relacionar as coisas. Uma pessoa bilíngue pode aprender a escolher a melhor forma de expressar uma ideia sem recorrer a tradução. Pessoas que cresceram com inglês como língua materna podem se surpreender ao descobrir palavras em português como “saudade” que só existem nesse idioma.

Além disso, pessoas bilíngues desenvolvem também empatia. Isso porque ao falar outra língua, eles têm acesso a outras culturas e interagem com pessoas de outros países, entendendo que existem outras perspectivas. E por isso tem mais facilidade para receber ideias diferentes, interpretá-las e aprender com elas.

Em um mundo cada vez mais integrado, escolas com ensinos bilíngues no Brasil podem contribuir para que seus alunos compreendam uma cultura que cada vez mais é falada em inglês, no idioma de autores, filmes e também de 70% do conteúdo da internet, isso sem contar as facilidades em relação ao mercado de trabalho.

4. Para ser bilíngue a pessoa precisa ser igualmente fluente nos dois idiomas?

Outro mito, a pessoa não precisa ser igualmente fluente nos dois idiomas. As maneiras para contabilizar o nível de fluência em uma língua são essencialmente subjetivas. Ou seja, a fluência na língua depende da adaptação da pessoa às interações culturais e sociais as quais é submetida!

A vantagem de uma escola com ensino bilíngue, é transformar uma parte considerável da vida das crianças e adolescentes em um ponto de prática de conversação com mais horas de exposição à língua. O aprendizado é gradual e varia de pessoa a pessoa, mas seus efeitos informam toda a vida. Sotaques, misturas e adaptações fazem parte do aprendizado de qualquer idioma e fazem parte do processo.

5. Apenas crianças podem se tornar bilíngues?

Mito: isso não significa que apenas crianças podem se tornar bilíngues! Esse é o último mito a ser desvendado nesse artigo. A educação bilíngue não tem idade. Alguns adultos podem até mesmo demonstrar mais facilidade para aprender gramática, ortografia, etc, por já possuírem uma base fundada dessas áreas em sua língua original.

Por outro lado, aprender inglês na infância é mais fácil do que aprender quando adulto. Até em torno dos 7 anos de idade, o cérebro da criança é praticamente uma esponja, absorvendo com avidez o conhecimento e as informações a que é exposta. Assim, caso seja possível que o contato com uma segunda língua se dê em conjunto com o aprendizado do idioma materno, melhor.

Além de ser mais fácil, diversos estudos demonstram que o aprendizado precoce faz com que o cérebro se desenvolva de uma maneira especial, ajudando na sociabilidade das crianças, além de torná-las mais tolerantes em relação a diferenças e outras culturas.

Em resumo, a educação bilíngue pode ser desafiadora e uma verdadeira aventura educacional. Seus frutos são também incalculáveis, participam da vivência cultural, social e cognitiva das crianças.

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