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biliguismo multilinguismo e plurilinguismo

Multilinguismo, bilinguismo e plurilinguismo: o que é cada um?

  • Bilinguismo

Com a chegada da Educação Bilíngue no Brasil, vieram também novos documentos regulamentando sua prática e muitos novos termos e conceitos com os quais escolas, professores e familiares passarão a conviver constantemente. As diferenças entre multilinguismo, bilinguismo e plurilinguismo estão entre as dúvidas mais frequentes nesse momento, e por isso é muito importante esclarecermos a que cada um se refere e como se aplicam no Brasil. Vamos juntos, então, compreender o que significa cada um?

Multilinguismo

Se lermos o artigo 13 da Constituição Federal de 1988, encontraremos essa frase: “A língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil”. Esse fato pode levar muitas pessoas a verem o nosso país como um pais monolíngue, principalmente se nos compararmos ao Canadá ou à Suíça, lugares famosos por suas duas línguas oficiais.

A realidade, no entanto, não poderia estar mais longe disso: o Brasil é um país multilíngue. Pense nas línguas indígenas, que segundo o censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) são 276, e nas fronteiras do Brasil com países falantes de espanhol onde cidades brasileiras inteiras se comunicam nas duas línguas.

 Podemos citar também as fronteiras com o Suriname e a Guiana Francesa, onde o holandês e o francês se misturam com o nosso português, além das cidades brasileiras que passaram por forte imigração no século XX e onde até hoje seus moradores se comunicam em italiano, alemão, japonês e muitas outras línguas.

E temos ainda a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). Viu só? Estamos inseridos indiscutivelmente em um ambiente multilíngue, ou seja, em um espaço onde várias línguas coexistem e geram interações e influências entre si.

Bilinguismo

Ao ler artigos teóricos sobre o tema, veremos que existem vários tipos de bilinguismo, sendo os mais comuns o subtrativo, o aditivo e o dinâmico. O primeiro se refere a processos para os quais não há mais lugar na sociedade igualitária que buscamos.

No bilinguismo subtrativo, o falante deve abrir mão da sua língua a favor de uma língua adicional considerada mais prestigiada pela sociedade onde ele está inserido.

No bilinguismo aditivo, o falante não abre mão de sua língua, mas ele é visto por uma perspectiva monoglóssica, ou seja, que as duas línguas não podem e não devem interagir entre si.  Assim, ele tem suas raízes em concepções antiquadas de aquisição de línguas, que já foram derrubadas pela neurociência.

Já o terceiro, o bilinguismo dinâmico, é o que de fato explica o que é um falante bilíngue e por quais processos cognitivos ele passa. Também é o que se encaixa no mundo globalizado que temos hoje, um mundo que busca alcançar os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas até 2030. Isso porque em sua concepção heteroglóssica, ele reconhece a complexidade da não-linearidade dos processos bilíngues em um contexto multilíngue.

Assim, um bilíngue não é simplesmente a soma de uma língua mais outra língua, mas alguém que faz um uso multifacetado dos recursos que dispõe para sua comunicação e interação com o mundo.

Plurilinguismo

Quando falamos em plurilinguismo, falamos em um modelo de aquisição e uso da linguagem que favorece tanto os aspectos linguísticos quanto os interculturais em uma sociedade multilíngue que requer diferentes competências e habilidades de seus participantes.

Nesse sentido, o plurilinguismo não deixa de atuar como um princípio positivo na vida dos usuários, já que sua prática encoraja a tolerância da diversidade linguística, eliminando assim, por exemplo, a ideia de prestígio entre as línguas e seus falantes.

Ele também permite a prática híbrida da linguagem, fenômeno que sempre ocorreu entre falantes bi/multilíngues, mas que foi por muito tempo visto como um erro ou, na melhor das hipóteses, como uma fase do processo de aquisição a ser superado.

Com o plurilinguismo, sabemos que não existe “misturar” ou “confundir” duas ou mais línguas, mas uma escolha de elementos por parte do falante que vem de aspectos culturais, sociais e pragmáticos do uso da linguagem.

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