Neurociência e educação: um diálogo possível
Neurociência
qua nov 14
Guilherme Pacheco
Guilherme Pacheco

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Neurociência e educação: um diálogo possível

A neurociência tem chegado na sala de aula muitas vezes como “neuromitos”. Por exemplo, falar de estilos de aprendizagem não tem nenhum respaldo na neurociência. Entretanto, 95% dos professores acreditam que eles existam.

Este foi o tema da palestra de Fernando Louzada na Bett Educar 2018, sobre a qual você confere alguns detalhes na sequência. Fique ligado!

A neuroficação e os neuromitos

O desenvolvimento de soluções educacionais tem sido pautado na Neurociência, contudo, muito do que se diz e se tem como verdade não possui fundamento científico.

É o caso de afirmações como a suposta diferença entre as funções do lado esquerdo e direito do cérebro e a facilidade de aprendizado quando o indivíduo recebe a informação por meio do seu estilo preferido (áudio, imagem, texto etc).

Esses neuromitos levam a crenças equivocadas e afetam o processo de ensino-aprendizagem, assim como a pesquisa e a produção de conhecimento em torno do tema educação.

Por isso, quando falamos no diálogo possível entre educação e neurociência, é imprescindível “dar a volta toda”, como informou Fernando ao longo da palestra.

A pergunta que interessa aos neurocientistas e educadores é: “O que acontece com o cérebro quando a gente está aprendendo?

Fernando usou a metáfora de uma trilha em uma mata cerrada para falar de como construímos nossas redes neuronais. Algumas trilhas viram ‘estradas’, outras podem até desaparecer.

A aprendizagem está sempre formando novas trilhas e reforçando antigas trilhas, ou seja, estamos esculpindo redes. Mas é importante lembrar que estamos perdendo algumas trilhas também. As conexões mudam a estrutura física do cérebro da mesma forma que nossos passos mudam a estrutura do terreno por onde andamos.

A consolidação da aprendizagem

Fernando também falou de pesquisas para explicar como, do ponto de vista da neurociência, o sono é fundamental para a consolidação da aprendizagem.

Existem genes que nos predispõem a sermos mais matutinos ou mais vespertinos. Nos EUA, estados como o da Califórnia já propõem através de leis, aulas que comecem mais tarde.

Fernando defendeu um modelo onde alunos tivessem core subjects de 9h às 12h e opcionais de 7h às 9h (para os se sentem bem pela manhã) e de 13h às 15h (para os que se sentem bem pela tarde).

Assim como Carla Tieppo, Fernando falou sobre as funções executivas que vão pouco a pouco sendo desenvolvidas, mas que só estão totalmente desenvolvidas aos 20 anos. Falou de como a mielinização é fundamental para o desenvolvimento cerebral.

Mostrou um vídeo do famoso teste do marshmallow para exemplificar como uma das funções executivas (a saber, o controle inibitório) só se desenvolve ao longo da infância e da adolescência, daí a importância de pais e professores servirem de “cérebro auxiliar”.

Fernando terminou falando de outras áreas onde a presença da neurociência é fundamental como fonte de informações para professores, a saber: as trajetórias atípicas do desenvolvimento cerebral, como, por exemplo, o Autismo e o TDAH (o diagnóstico é decisivo para o tratamento, mas quem realmente entende sobre o ambiente da criança é o pedagogo/professor ou o psicólogo).


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