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professor na sala de aula híbrida

O papel do professor na sala de aula híbrida

  • Gestão Escolar

Vivemos um momento em que muitas escolas e professores estão aprendendo e se adaptando ao uso de ferramentas tecnológicas, enquanto seus alunos são nativos digitais. No entanto, para que essas tecnologias sejam utilizadas a favor da aprendizagem, faz-se necessário que novas práticas de ensino híbrido sejam adotadas e que professores inovadores estimulem o senso crítico dos seus alunos frente à tanta informação disponível na rede.

Sabemos que não existe uma fórmula mágica para essa mudança, mas a tendência é que o ensino híbrido, também conhecido como blended learning, transforme essas tecnologias em apoio aos professores e, através de um ambiente de aprendizagem personalizado, formaremos alunos motivados e com uma visão mais crítica do mundo.

Se comparado a educação tradicional, no blended learning o papel não só do professor como também dos alunos sofre mudanças. E o envolvimento das tecnologias digitais nas aulas propiciam momentos de colaboração e interação.

Muitos estudos vêm se desenvolvendo acerca da integração das tecnologias no universo escolar e, com o uso de tecnologias digitais, é possível trazer o papel do professor no processo de ensino e aprendizagem virtual para diferentes situações:

1. O professor precisa dominar o conhecimento tanto dessas ferramentas como das diferentes formas de inseri-las em seu trabalho; e a tecnologia deve ter resultado efetivo na aprendizagem do aluno; 

2. O professor, além de dominar a ferramenta, deve mediar o processo interativo do aluno com a informação, e esse acesso crítico geraria um impacto na aprendizagem; 

3. O professor pode trabalhar junto com programadores e designers para desenvolver ferramentas visando a individualização e até a personalização do ensino. 

Dessa forma, pode-se afirmar que a presença de novas tecnologias inseridas na prática pedagógica não diminui a importância do professor na sala de aula, somente modifica seu papel.

Paulo Freire afirma que ensinar não é apenas transmitir conhecimento. O professor precisa estar próximo aos seus alunos, conhecer sua realidade social e colaborar para uma formação não apenas formal, mas, também, de habilidades socioemocionais. E uma relação de parceria e apoio mútuo é essencial para que uma mudança de postura tanto do docente quanto do aluno ocorra, resultando em um ambiente mais motivador de aprendizagem.

Sabemos que o caminho não é  fácil para o professor, mas se permitir agir diferente e buscar esse olhar diferenciado do processo de ensino aprendizagem é possível e muito gratificante. Com a combinação de atividades presenciais estimulantes, aliadas à valorização das habilidades socioemocionais e o uso de ferramentas digitais que desenvolvam a autonomia dos alunos, o blended learning torna-se um caminho precioso para facilitação do aprendizado. 

Ensino híbrido e personalização

Quando falamos em personalização do ensino, não necessariamente estamos falando de tecnologia. Se um aluno, por exemplo, lê um conteúdo e apresenta dificuldades, o professor pode indicar um problema ou uma leitura extra e isso é uma forma de personalizar. Mas quando se trata de ensino híbrido, o foco principal deve ser usar a tecnologia como meio para desenvolver práticas pedagógicas atuais e que fortaleçam o aprendizado dos alunos.

Nesse contexto, é necessário que o professor conheça diferentes ferramentas que podem auxiliar no desenvolvimento do seu aluno, sempre respeitando seu ritmo de aprendizagem. Lembrando que personalizar não é ter um planejamento para cada aluno, mas garantir que o aluno aprenda através de diferentes tipos de ferramentas, por exemplo, se um aluno aprende mais assistindo um vídeo, outro pode aprender mais fazendo uma leitura em um blog ou até mesmo jogando um jogo. 

Quando o professor usa um texto e a mesma sequência de atividades para todos os estudantes, ele exclui essas possibilidades e impõe um único caminho para construir o conhecimento.

Blended learning não está conectado a uma educação vertical onde o professor está no topo da relação. Quando se opta por um planejamento personalizado, o professor sai do papel de palestrante e passa a estimular a autonomia do aluno transformando todas as instruções teóricas em on-line. Essa posição permite que ele aja como mediador do processo de aprendizagem, possibilitando a individualização e personalização do ensino.

Planejando uma aula híbrida

As tecnologias usadas em uma blended class devem ser eleitas baseadas em objetivos pedagógicos muito bem estruturados no planejamento, permitindo que o professor passe instruções on-line e trabalhe propostas inovadoras em sala. 

É essencial que, ao planejar essa aula, o professor conheça, teste e valide as ferramentas digitais. Testar está ligado a estar sempre em contato com o que há de novo em questão de tecnologias e escolher as que fazem mais sentido e facilitem a aprendizagem do seu aluno. Já a validação consiste em entender se o instrumento causou o impacto esperado no processo do aluno.

Identifique o objetivo de cada momento do planejamento para que a ferramenta seja eleita de acordo com os objetivos esperados. Por exemplo, para dar instruções, escolha ou crie um vídeo, para um momento de interação, um game e para avaliar, adote uma ferramenta que forneça dados que possam ser transformados em orientação educacional.

No que diz respeito à avaliação, muitas vezes somos levados a um modelo tradicional de medir o conhecimento do aluno onde se tem uma série de aulas e depois uma avaliação na qual o professor identifica as falhas.

No blended learning, essas dificuldades podem ser identificadas aula a aula e utilizadas como parte do planejamento das próximas aulas, transformando a avaliação em um processo contínuo e facilitando o direcionamento e apoio ao aluno.

Existem algumas práticas ou metodologias associadas ao blended learning que facilitam o processo de planejamento das aulas e que também trazem inúmeros benefícios para  os alunos, dentre eles podemos citar:

1. Os   agrupamentos dinâmicos onde os estudantes são organizados em grupos levando em conta seu desempenho e outros alunos exercem o papel de tutores dos seus grupos, exercendo não só um papel de aliado do professor como, também, incentivando a colaboração. 

2. A abordagem de conteúdos baseada em projetos, que unifica diferentes conhecimentos e estimula o desenvolvimento de competências, integração, cooperação, protagonismo e pensamento crítico.

Trabalhar cooperativamente não quer dizer somente aprender em grupo e a tecnologia tem um papel fundamental na orientação e desenvolvimento individualizado. O fato de o aluno assistir um vídeo sozinho e em qualquer ambiente só será realmente validado quando essa instrução for compreendida e interpretada. A aprendizagem baseada em projetos impulsiona a transformação da informação em conhecimento.

Por fim, é importante ressaltar que a tecnologia deve ser sempre vista como uma aliada do professor, já que o aprendizado pode acontecer a qualquer momento e em qualquer lugar, exercendo o maior e melhor papel da tecnologia: Libertar.

Fernanda Moreira (Graduada em Letras e pós graduada em Educação Corporativa pela Universidade Veiga de Almeida. Com 12 anos de experiência na área de educação bilíngue, atua como Mentora Pedagógica na SPOT Educação. Possui curso de extensão em Língua Inglesa pela KAPLAN San Francisco e em Language Development and Teaching Skills pela International House London. É apaixonada por viagens, séries, cachorros e ama estudar novas línguas).

Referências | L Bacich, AT Neto, F de Mello Trevisani – 2015

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