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A importância de planejar sua aula

Você já assistiu ao filme A Creche do Papai, com Eddie Murphy? Nele, um publicitário desempregado decide abrir uma creche em seu bairro para garantir a renda da família. No dia da abertura, as crianças matriculadas chegam e se deparam com dois principiantes que acreditam que só precisam passar o tempo com elas fazendo atividades aleatórias. 

Trailer A Creche do Papai

O resultado dessa crença é o completo caos: crianças desinteressadas, correndo e gritando, escalando as cortinas e procurando algo melhor para fazer. Nesse momento, o protagonista tem uma epifania e exclama que eles precisam de atividades coordenadas que estimulem a mente das crianças. Em outras palavras, eles precisavam planejar uma aula. 

Mas como fazer um plano de aula? O que incluir e por quê? Essas são perguntas comuns que nós, professores, fazemos sempre que nos deparamos com uma nova lição, ou pelo menos quando temos nossas aulas observadas. Vamos, então, desconstruir um modelo para planejar uma aula e explorar cada uma de suas partes:

modelo para planejar uma aula

Objetivos gerais

 Pense em uma viagem de férias. Primeiro, você escolhe o lugar que deseja visitar. Depois, começa a planejar como fazer para chegar lá. Qual é o melhor trajeto para desviar dos engarrafamentos? Que horas preciso sair de casa?

O que ocorre nessa situação é que eu não tenho como definir o caminho sem antes saber onde eu quero chegar. Então, quando planejamos uma lição precisamos nos perguntar: “Quando a lição chegar ao fim, o que quero que meu aluno seja capaz de fazer?” A resposta para essa pergunta são seus objetivos gerais.

Perfil da turma

Quem são meus alunos? Do que eles gostam? Em que momento da aula eles costumam perder a atenção? Tenho alunos com necessidades especiais? Essas perguntas, e outras mais, nos ajudam a personalizar a lição para que ela faça sentido para o aluno.

Explorar suas preferências, sua experiência de vida, sua comunidade e seus sonhos para o futuro, por exemplo, enriquecem a aula porque incluem o elemento da diversidade. Por isso é muito importante se desenvolver como professor também.

Além disso, o aluno percebe que a aula foi feita especialmente para ele e passa a se identificar e a se relacionar com a escola de modo mais afetuoso. O resultado é um aluno mais aberto para o processo de aprendizagem. Falando nisso, acrescente também os diferentes tipos de aprendizagem que você percebe entre seus alunos. Eles são mais visuais? Auditivos? Cinestésicos? 

Possíveis problemas

Sabendo onde quero chegar, o caminho que irei percorrer e quem é meu aluno, quais problemas eu sei que terei nessa jornada? Há uma parte do conteúdo que eles terão mais dificuldade de absorver? Que eles precisarão de mais contextualização?

O mais importante aqui é planejar como farei para evitar esses problemas ou resolvê-los quando eles aparecerem. Algumas possibilidades são:

  • • revisar algum conteúdo anterior;
  • • esclarecer previamente termos/vocábulos que possam eventualmente complicar o entendimento de uma atividade;
  • • trazer um jogo que introduza o conteúdo;
  • • utilizar recursos digitais como vídeos e tutoriais.

O importante é usar a criatividade e selecionar atividades apropriadas para cada tipo de dificuldade.

Materiais utilizados

De que irei precisar para executar minha aula, desde a página do livro até materiais extra que possam intensificar a experiência do aluno? Lembrando que, se for um plano de aula para educação infantil, o uso de recursos visuais como imagens, objetos diversos e brinquedos é essencial para concretizar o aprendizado. 

Procedimentos

É uma descrição completa e detalhada do andamento de cada atividade. Além disso, o que direi para que minhas instruções sejam claras e sucintas? Irei explicar ou demonstrar como fazer? Como conectar uma atividade com a outra para garantir a fluidez da lição?

Para os professores que trabalham com apostila e se perguntam por que escrever os procedimentos de cada atividade se eles já estão no Manual do Professor, pense em uma palestra que você participou recentemente. O palestrante falava e explicava, e você tomava notas. Nas suas notas, você copiou exatamente as palavras que eram ditas pelo palestrante ou escreveu com as suas próprias? Os procedimentos no plano de aula são a mesma situação.

Quando tomamos notas com as nossas palavras, estamos compreendendo e assimilando o conteúdo. Assim, perceberemos nuances que não teríamos vislumbrado se tivéssemos apenas lido o Manual. 

Dinâmica 

Qual dinâmica de sala de aula devo utilizar para a atividade ser mais produtiva? É individualmente? Em duplas? Em pequenos grupos? Atividades que visam praticar pela primeira vez um conteúdo novo, por exemplo, são melhor absorvidas pelo aluno se ele as realizar individualmente, tendo, assim, tempo para pensar e fazer tentativas. Se, em seguida, eles começarem a comparar suas respostas em duplas, estimularemos a discussão e o pensamento crítico.

Objetivos específicos

Se o objetivo geral é o lugar onde chegaremos, os objetivos específicos são o caminho. Para planejar uma aula, eles são essenciais. A sequência de atividades não deve ser aleatória, mas lógica a fim de, gradualmente, leve o aluno até onde queremos chegar. O objetivo da atividade é introduzir o conteúdo? É oferecer oportunidades de prática?

Lembrando que devemos levar em consideração as habilidades técnicas que o aluno irá desenvolver e também as competências gerais da BNCC. Uma atividade de pesquisa na internet, por exemplo, desenvolverá habilidades de leitura e interpretação de texto bem como exercitará a curiosidade intelectual e permitirá que o aluno utilize a tecnologia de forma crítica. 

Tempo

Dependendo do objetivo específico, a atividade deverá durar mais ou menos tempo. Uma atividade de contextualização, por exemplo, deverá ser bem mais curta do que uma de prática do conteúdo foco da lição. Assim, conhecendo o ritmo de seus alunos e a função de cada exercício dentro do todo, o professor atribuirá o tempo adequado para cada etapa.

Dicas especiais

  • • Como diz o ditado, treino é treino, jogo é jogo. Assim, dê espaço para a flexibilidade em seu plano de aula. Nem tudo sairá como você planejou, mas a função do plano de aula não é “congelar” a sua lição, e sim refletir sobre ela. 
  • • Lembre-se de que planejar uma aula faz parte da organização escolar de todo o ano letivo, ou seja, ele está interligado a outros planos. Ter noção de continuidade é essencial para otimizar o tempo.
  • • Procure intercalar atividades mais lentas com atividades mais dinâmicas, tornando, dessa forma, o ensino mais atrativo para o aluno.
  • • Converse com outros professores, troque ideias, e, se as duas partes concordarem, assistam aulas uns dos outros. Ver colegas em ação muda nossa perspectiva sobre as aulas e nos dá ideias incríveis que talvez jamais teríamos considerado ao planejar uma aula!

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