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salas de aulas simultâneas

3 modelos práticos para salas de aulas simultâneas

Muitas escolas fizeram a transição para o formato de ensino híbrido ou combinado desde o início da pandemia. Isso significa que os professores precisam transformar suas classes em salas de aulas simultâneas, combinando aulas presenciais com aulas online, que podem ser síncronas (ao vivo) ou assíncronas (gravadas).

Uma programação típica de aprendizagem híbrida seria algo como:

  • Segunda-feira: Aula online pré-gravada + Atividades – etapa assíncrona
  • Terça-feira: Aula presencial
  • Quarta-feira: Aula online pré-gravada + Atividades – etapa assíncrona
  • Quinta-feira: Aula presencial
  • Sexta-feira: Aula online ao vivo – etapa síncrona

Observe que as etapas online e presencial ocorrem em dias diferentes. E se não fosse assim? E se alguns alunos decidissem ir para as aulas físicas enquanto os outros preferissem ficar em casa e fazer as aulas online?

Essa é a definição de aula simultâneas. As etapas online e presencial acontecem ao mesmo tempo, o que significa que o professor terá uma câmera capturando a aula em sala de aula e transmitindo ao vivo para os alunos em casa. 

Salas de aulas simultâneas não são novas

Apesar de ser algo inédito para muitos professores ao redor do mundo, e algo que pode se tornar um pesadelo logístico, essa modalidade de ensino não é nova. Ela tem sido usada principalmente em Instituições de Ensino Superior.

Algumas universidades são conhecidas por transmitir ao vivo suas aulas presenciais para oferecer aos alunos mais flexibilidade. Os alunos que por algum motivo não consigam estar fisicamente presentes nas aulas consideram um benefício interessante a opção de assistir de casa e interagir com o professor por meio de uma ferramenta de videoconferência.

A University of New Hampshire tem uma página com muitas dicas sobre como tornar a experiência da sala de aula simultânea mais bem-sucedida. Algumas dessas dicas são:

  • Inclua os alunos remotos em todas as discussões ao fazer perguntas à turma. 
  • Considere o uso de uma ferramenta de votação/enquete em que os alunos em sala de aula e remotos possam participar para verificar a compreensão.
  • Considere a criação de um módulo separado na sua plataforma com as sessões presenciais gravadas para que alunos remotos possam encontrar facilmente os materiais.

E os grupos de ensino fundamental e médio?

Salas de aula simultâneas podem funcionar bem com alunos mais velhos que sabem como trabalhar de forma mais independente e que conseguem regular seu comportamento. A grande questão é: o mesmo se aplica a crianças e pré-adolescentes?

A resposta mais óbvia parece ser NÃO. Geralmente, quanto mais jovens forem os alunos, mais ajuda eles precisarão para usar as ferramentas digitais e para se manterem concentrados. 

Existem maneiras, no entanto, que podem gerar resultados interessantes em salas de aula simultâneas com os menores. Precisamos apenas adaptar alguns modelos de ensino híbrido comumente usados ​​e criar a logística que faz mais sentido.

Antes de entrarmos em mais detalhes sobre esses modelos, vamos considerar 3 escolas distintas com seus respectivos cenários:

Escola 1: Baixa Autonomia – Movimento Restrito – Trabalho em Grupo Restrito 

Os professores não têm muita flexibilidade. As aulas são mais centradas no professor e os professores não podem monitorar os alunos pessoalmente com muita eficácia, porque eles precisam ficar na frente da câmera, que é fixa. Os professores têm um fone de ouvido para ouvir as perguntas dos alunos online, mas os alunos presenciais não podem ouví-los. Normalmente, há apenas um dispositivo conectado à internet – um laptop – e apenas o professor tem acesso a ele para verificar os alunos online e o chat.

Escola 2: Pouca Autonomia – Pouco Movimento – Pouco Trabalho em Grupo 

Os professores têm alguma flexibilidade. Eles podem talvez mover um pouco a câmera e monitorar os alunos pessoalmente enquanto trabalham em grupos. As aulas ainda são bastante centradas no professor, mas os alunos online e presenciais podem interagir mais facilmente, pois todos podem se ouvir. Existem apenas alguns dispositivos conectados na sala de aula, o que significa que os alunos precisam usá-los em grandes grupos ou se revezando.

Escola 3: Alta Autonomia – Movimento Livre – Muito Trabalho em Grupo 

Os professores têm muita flexibilidade em termos de movimento e padrões de interação. Os alunos presenciais podem se mover de forma quase totalmente independente na sala de aula, que foi projetada como um ambiente de aprendizagem flexível com diferentes estações de trabalho. As aulas são muito centradas no aluno e os alunos muitas vezes podem assumir a liderança e mostrar o trabalho que fizeram para toda a classe. Os alunos online podem conversar com os alunos presenciais por meio de dispositivos móveis (telefones celulares e tablets).

Esses diferentes cenários podem variar bastante e algumas escolas nem mesmo têm uma conexão de Internet estável ou dispositivos para trabalhar com salas de aula simultâneas. No entanto, vamos nos concentrar nessas situações para que você possa extrapolá-las para melhor se adequar à sua realidade.

Vamos examinar os três modelos, como eles funcionam e, em seguida, refletir sobre qual modelo combina com qual cenário.

Modelos de Ensino Híbrido

Como você pode ver na imagem abaixo, existem quatro modelos principais e quatro submodelos dentro do primeiro. Você pode ler mais sobre eles diretamente da fonte, em WebRoom Educação,Inc e no excelente blog da Dra. Catlin Tucker.

Focarei no modelo de rotação da estação, no modelo de sala de aula invertida e no modelo flexível com pequenas variações.

Modelo de Rotação da Estação

Neste modelo, os alunos rodam na sala de aula (fisicamente) passando por diferentes estações de trabalho. Cada estação se concentra em algo diferente. Uma estação pode exigir que os alunos trabalhem em uma tarefa diferente, outra pode mudar seu padrão de interação ou mesmo dar acesso a certos recursos.

Vamos pensar em um modelo de rotação de estação de 5 etapas:

  • O professor dá instruções, que também podem estar no quadro ou em um Sistema de Gerenciamento de Aprendizagem  como o Google Sala de aula. 
  • O professor muda para a ESTAÇÃO 1, uma estação liderada pelo professor onde os alunos podem ir para mais explicações ou feedback individualizado. Os alunos online podem fazer isso por meio de suas câmeras e microfones ou via chat.
  • Os alunos presenciais voltam para seus lugares e fazem alguns trabalhos individuais em seus livros seguindo as instruções. Eles podem se unir aos colegas no final de cada tarefa para verificar suas respostas. Os alunos online podem fazer o mesmo em suas casas e bater um papo no Google Sala de Aula ou pela ferramenta de videoconferência.
  • Os alunos passam para a ESTAÇÃO 2, uma estação de trabalho online onde podem se conectar à internet e fazer mais pesquisa ou reforçar o que estão aprendendo. Os alunos online podem ser responsáveis ​​por direcionar os alunos presenciais a sites interessantes que eles encontraram ao longo da aula. Os alunos presenciais e online podem interagir neste estágio.
  • Os alunos passam para a ESTAÇÃO 3, uma estação de trabalho offline onde podem fazer algo mais prático/mãos na massa. Os alunos presenciais trabalham com os resultados da pesquisa que realizaram e com seus materiais. Os alunos online podem alimentar o Google Sala de Aula ou usar outra ferramenta colaborativa online.

Você deve ter notado na imagem acima que os alunos online vão das etapas 1 a 3, depois voltam à 2 e, finalmente, 4 e 5. Esta é uma maneira de ajudar os professores a se concentrarem nos alunos presenciais primeiro, enquanto os online estão ocupados vice-versa.

Modelo de sala de aula invertida

Neste modelo, os alunos podem acessar um vídeo / texto / áudio instrucional pré-gravado para realizar as tarefas ao longo da lição. Este modelo não exige necessariamente que os alunos assistam ao vídeo de instrução antes da aula propriamente dita, como normalmente é necessário em uma experiência verdadeiramente invertida. Eles podem fazer isso durante a aula.

Veja como pode funcionar:

  1. O professor inicia a lição com um estímulo relacionado à tarefa de instrução. A ideia é fazer com que os alunos façam um brainstorming, discutam, reflitam ou simplesmente que os alunos contribuam com a target language ou tópico da aula.
  2. O professor dá aos alunos acesso à tarefa instrucional e permite que façam anotações, façam perguntas e colaborem em pares ou grupos maiores.
  3. Os alunos usam as informações da tarefa instrucional para produzir. Os alunos presenciais podem formar grupos e os alunos online podem fazê-lo via Google Sala de Aula ou ferramenta de videoconferência.

Este ciclo pode se repetir algumas vezes dependendo da lição. Além disso, a fim de gerar mais interação e facilitar a logística desafiadora, toda vez que os professores pedirem ao grupo para compartilhar suas respostas, eles podem:

  1. Fazer com que os alunos presenciais, pensem, se agrupem e compartilhem (THINK-PAIR-SHARE) enquanto verificam as respostas dos alunos online
  2. Fazer com que os alunos presenciais venham ao computador para compartilhar a resposta de um aluno online para todo o grupo. 
  3. Fazer com que os alunos presenciais venham para a frente da câmera e apresentem suas respostas ou corrijam-nas no quadro enquanto monitoram os comentários dos alunos online.

Modelo flexível

Este modelo permite que os professores trabalhem mais como guias / monitores, enquanto os alunos seguem uma lista de reprodução de atividades por conta própria e verificam com os colegas. A ideia é oferecer mais flexibilidade aos alunos.

  1. O professor dá aos alunos uma playlist (pode ser algo escrito no quadro ou uma postagem no Google Sala de Aula). Os alunos são obrigados a completar a maioria dos itens da lista na ordem em que desejam.
  2. O professor monitora os alunos, verificando se eles estão cumprindo a tarefa, e dá feedback. O professor pode passar alguns minutos no computador fazendo o mesmo com os alunos online. Pode haver um ou dois pontos de checagem com o grupo inteiro para perguntar aos alunos quanto progresso eles fizeram na lista e quais tarefas eles escolheram fazer até agora. 
  3. O professor pode criar um momento de SHOW & TELL para todos os alunos compartilharem o que conseguiram fazer da lista, quais tarefas foram mais desafiadoras e as perguntas que eles podem ter. Os alunos online podem trabalhar de maneira mais autônoma e a sua interação pode ser gravada para que o professor possa assistir mais tarde e dar feedback.

Este modelo é bastante aberto e exige que os alunos sejam auto-eficazes ou, pelo menos, que os mecanismos de controle / gestão de sala de aula sejam bastante eficientes.

Isso pode funcionar bem se os alunos estiverem em um ambiente de aprendizado baseado em projetos. Os professores podem adicionar à playlist algo como “10 minutos para trabalhar em seu projeto”.

Considerações finais

Se refletirmos sobre os modelos e tentarmos encaixá-los de acordo com os três tipos de escola que mencionei acima, podemos pensar em algo assim:

Para escolas que não oferecem liberdade de movimento ao professor e aos alunos, focadas em aulas centradas no professor com pouco trabalho em grupo (ESCOLA 1), a melhor opção pode ser o modelo de sala de aula invertida, pois o professor pode fazer tudo na frente da sala.

Uma ideia para agregar a esse modelo é a criação e utilização de placas ou cartões com mensagens do tipo “Volto em 2 min” ou “Trabalhando com Alunos Presenciais” . Para alunos não letrados, as placas podem conter cores diferentes ou desenhos (um computador VS uma sala de aula, por exemplo). A ideia é que os professores possam deixar a câmera por um tempo e ajudar os alunos na sala de aula. Pode ser um momento de brain break para os alunos online e vice-versa.

A Escola 2 pode não ser capaz de trabalhar com o modelo Flex porque as aulas ainda são bastante centradas no professor e os alunos podem não estar acostumados com mais autonomia. Mas esta é a escola perfeita para o modelo de Rotação de Estações, já que o professor pode até apontar a câmera para as diferentes estações e usar sinais para identificá-las para os alunos online verem.

Acredito que qualquer modelo funciona bem na Escola 3 porque eles podem se adaptar mais facilmente a diferentes situações e trabalhar com os alunos online de forma mais próxima. Esta é definitivamente a escola ideal, mas infelizmente não é uma realidade em muitos ambientes educacionais.

Quer você esteja trabalhando na Escola 1, Escola 2 ou Escola 3, realmente espero que você possa testar um desses modelos. Aulas simultâneas não são simples, no entanto, se você tiver um plano de aula muito bom e puder identificar algumas etapas (blocos), a logística pode funcionar melhor.

A realidade é: esse tipo de aula não funciona muito bem para crianças e pré-adolescentes. É uma modalidade voltada para o ensino superior e para alunos mais independentes. Contudo, é a solução que algumas escolas encontraram e espero que esse texto ajude a facilitar sua implementação.

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