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Setembro Amarelo e o combate à depressão nas escolas

  • Bilinguismo

Nesta semana, o Governo Federal lançou sua campanha de valorização da vida e de combate à depressão. Guiada pelo conceito Se liga! Dê um like na vida, seu objetivo, segundo o Ministério da Saúde, é estimular o jovem a compartilhar momentos com a família e amigos e conversar mais, fortalecendo a importância do diálogo e desmistificando a vida virtual.

Essa ação é parte de um movimento mundial. A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou em seu report de 2019 que o suicídio já é uma questão global de saúde pública. Todas as idades, sexos e regiões do mundo são afetadas. Um dado alarmante levantado pela entidade é a proporção entre as mortes de adolescentes de 15 a 19 anos. Nessa faixa etária, o suicídio é a segunda principal causa de óbito, perdendo apenas para acidentes de trânsito. 

Fonte: Organização Mundial da Saúde (Gráfico O Globo)

Pensando nessa situação latente entre os jovens, o Edify convidou Almir Vicentini, professor e pesquisador em suicidologia para expor sua opinião e experiência com o tema.

Quantos dias deveria durar o Setembro Amarelo?

Durante a minha trajetória como educador tenho me preocupado com tudo aquilo que extrapola a sala de aula. Minha primeira formação acadêmica é de físico teórico. Quando comecei a lecionar, me sentia um semideus! 

Porém, meus alunos tinham enormes dificuldades para entender essa mesma física que eu amava e suas teorias. Busquei, então, novas ferramentas, caminhos e tudo aquilo que um bom professor acredita que possa ajudar. Foi quando comecei a perceber que alguns alunos ficavam muito entediados com as minhas aulas e diziam: não quero estudar exatas, eu quero ser músico…quero ser artista…quero ser cozinheiro…raros eram aqueles que compartilhavam a minha paixão pelos cálculos.

Foquei nestes jovens que não queriam a área de exatas e ouvi de muitos deles que os pais ou outras “forças” não permitiam que não escolhessem carreiras que eu considero fazer parte da Santíssima Trindade: Direito, Medicina e Engenharia. 

O pior de tudo era o quanto sofriam emocionalmente por não terem espaço para o diálogo na família. Comecei a ter conversas amigáveis com eles para entender o sofrimento dessas crianças. Esse sofrimento me incomodava.

Certo dia, ouvindo rádio em meu carro, escutei uma frase da música dos Paralamas do Sucesso (Tendo a Lua): “O céu de Ícaro tem mais poesia do que o de Galileu”. Isso foi um divisor de tempo x espaço para mim.

             Como posso ser Galileu se existem tantos Ícaros a minha volta? 

Nesta imagem, temos do lado esquerdo uma célula cerebral e do lado direito uma figura do universo: o cosmos. As semelhanças são tão colossais que nos resta uma pergunta: somos produtos de uma magia que nenhum físico saberá explicar. O mínimo semelhante ao máximo. Quem poderá te fazer se sentir menor em sua vida?

Tive um impulso para começar a estudar as competências socioemocionais e entender o quanto são importantes na vida de cada um de nós. Não podemos controlar as emoções, mas podemos aprender o que fazer com cada uma delas.

Se eu pensava em ajudar esses alunos, eu precisava sair da condição de discípulo de Galileu (aquele que admira e “bebe” de seus conhecimentos) para me tornar um apóstolo de Ícaro (aquele que entende o sonho de cada um) e vai à luta para que tudo se realize.

Desde essa época, tenho me deparado com casos de abandono emocional, restrição de liberdades sociais, pressão escolar, famílias destruídas pela falta de diálogo e o desespero de perceber que a vida está se tornando sem sentido.

Nossos jovens não creem mais em um mundo de amor, respeito e cumplicidade, pois lhe são cobradas ações que não estão preparados para enfrentar. O mal do século, em minha opinião, não é a depressão, e sim a solidão. Uma solidão repleta de “likes”, “seguidores” e “influencers” que não estarão ao seu lado no momento de dor e de dúvidas.

Tenho percebido muitos jovens preferindo a automutilação, para conseguirem sentir alguma coisa, pois a vida real está se perdendo. Disso, ficamos a um passo da idealização suicida que leva milhares de jovens entre 14 e 25 anos embora em um momento no qual a vida está se mostrando bela. Não deu tempo!

Minha amiga Dra. Karina Okajima usa uma frase enigmática: “SE TEM VIDA, TEM JEITO!”. Sim, a vida continuará depois de cada problema e outros virão e serão resolvidos. O suicídio é uma decisão irreversível para um problema casual.

Eu te convido a assistir esse vídeo, refletir e acreditar que a vida tem sentido. A vida é bela e você será um exemplo de como somos capazes de sermos felizes apesar de tudo.

Se você está sofrendo, a sua dor é legítima e é somente sua! Ninguém poderá passar por esses problemas em seu lugar, mas muitos poderão ajudá-lo. Eu peço a todos, para que, quando percebam a fragilidade de alguém, não julgue, não critique, não menospreze a dor. Cada um sabe o quanto aquilo está machucando a sua alma.

O acolhimento é a melhor arma para evitarmos o pior: a decisão de não continuar a viver. Não escolhemos nascer, simplesmente acontece! A morte é inevitável, mas tomar a decisão de precipitá-la é toda sua. Acredite na possibilidade de voltar a vida e de ter a certeza de que tudo vale a pena. Voltar a ver seu sorriso no espelho é a melhor imagem que posso te desejar.

Por isso, caro leitor, não deixe Setembro passar sem reflexões profundas sobre a temática do suicídio. O mês “amarelo” deve ser uma constante em nossas vidas e essa campanha deveria ter bem mais do que trinta dias.

                                                                                  Prof. Ms Almir Vicentini

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