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Soluções para desenvolver o repertório sociocultural nos jovens

No dia 24 de agosto, o Edify esteve presente no 12º Congresso Rio de Educação, organizado pelo Sinepe Rio. No evento, nossa parceira, Carolina Sanches, falou para um auditório lotado sobre como reinventar o que fazemos em sala de aula. É sempre maravilhoso ter parceiros que nos provocam a ser melhores, a questionar nossas práticas e nos apoiam no processo de reconstrução. 

A Carolina, em um momento da sua apresentação, levantou uma provocação : “ter programa bilíngue está na moda né, mas de que adianta falar um inglês maravilhoso, se esse aluno não tiver o que dizer?”. Com esse questionamento ficou a reflexão: como desenvolver o repertório sociocultural do nosso aluno estimulando um pensamento crítico do que é lido e ouvido, para que ele tenha, então, o que dizer?

Como podemos garantir o desenvolvimento de repertório sociocultural nas escolas?

A preocupação com o desenvolvimento do repertório sociocultural na formação dos nossos alunos sempre existiu, porém, com as mudanças sociais recentes provocadas pela tecnologia e pelo surgimento das redes sociais, essa temática vem ganhando cada vez mais relevância. 

Nesse contexto, o status quo atual é sermos diariamente impactados pelas mesmas coisas. Hoje, temos a chance de escolher o que assistir e ouvir, mas os algoritmos que foram criados para facilitar nossa vida acabam restringindo a exposição ao diferente, limitando nossa visão do mundo. 

Assim sendo, nossa responsabilidade enquanto educadores aumenta. Nos tornamos cada vez mais responsáveis por oferecer a nossos alunos visões distintas, expondo-os a diferentes sons, cores e letras. E, como podemos fazer isso? Oferecendo aos alunos oportunidades para que entrem em contato com um amplo repertório cultural, por meio da música, das artes visuais (plásticas, fotografia, cinema) e literárias dentro das nossas salas de aula. 

Que visão usamos de inspiração para trabalhar noção de mundo com os alunos?

A abordagem triangular de Ana Mae Barbosa se propõe ao trabalho com as artes dentro de três eixos: contextualização, apreciação (fruição) e experimentação (produção). 

Quanto à contextualização da produção artística, trabalhamos com os alunos a compreensão de cada peça dentro do contexto em que foi originalmente produzida, para que se entenda sua relevância e o impacto sociocultural provocado no momento de sua produção. 

No trabalho do multiculturalismo com os alunos, é pouco provável que existam atividades mais impactantes do que entender as representações que diferentes grupos e sociedades fazem de si e dos demais. É um trabalho com profundo efeito de repertório histórico, sociológico e político.

No contato a partir da apreciação artística, desenvolvemos além do senso estético, a habilidade de se fazer leituras bastante complexas com a interpretação de simbologias, referências culturais à época, além do trabalho da relação do indivíduo com cada tipo de arte.

Essa conexão pode ser diferente para cada um e mudar com o passar do tempo. A própria Ana Mae Barbosa, no Fórum de Educação da Bienal do Rio, definiu sua relação com a arte da seguinte maneira: “A arte na minha juventude era estímulo, mas recentemente tem sido consolo ao longo dos momentos difíceis da vida”.

Por último, mas não menos importante, temos o trabalho de criação artística sendo trabalhado com os alunos. Eles se tornam autores, usando diversos tipos de linguagem para se expressar, além de adaptar materiais, procedimentos e experimentar com diferentes formas de articular ideias. 

Como trabalhamos com esses pilares dentro do Edify?

Não há forma de trabalhar com arte sem construir uma base nos três pilares citados acima. É assim que desenvolvemos um trabalho dessa disciplina em língua inglesa no Edify.

As artes plásticas, música e teatro são muito presentes na Educação Infantil e no Fundamental I, depois disso caminhamos com um currículo com maior relevância na escrita e no trabalho de artes visuais, focado em fotografia e cinema, para manter os alunos sempre engajados. 

Conseguimos explorar todos os eixos, por exemplo, no projeto que desenvolvemos com os alunos sobre azulejos portugueses. Trabalhamos contexto histórico e representação social, apreciação e uso das cores, formas, e criação do próprio design das peças. Outros exemplos também relevantes são o nosso projeto de criação de uma animação em stop-motion e a produção de roteiro de um documentário com os alunos de 8º ano. 

A abordagem comunicativa na aprendizagem da língua, assim como a aprendizagem baseada em projetos, também incentivam a construção de um repertório sociocultural extenso, visto que os estudantes são recorrentemente expostos a diferentes conteúdos dinâmicos e contemporâneos, seguidos de discussão em sala de aula. Essa prática faz com que cada indivíduo construa uma bagagem para a construção de seus argumentos, permitindo que sustente seus posicionamentos de forma embasada, coesa, respeitosa.

Porém, apesar de reconhecermos todos os benefícios de um trabalho cultural consistente com os alunos de todas as faixas etárias, sabemos que existe um grande desafio em oferecer aos nossos professores iguais oportunidades de expansão sociocultural.

Dessa forma é bastante importante que sigamos oferecendo momentos de ampliação da formação cultural dos docentes, além da prática em sala de aula. Nós, no Edify, esperamos sempre poder fomentar ocasiões de troca entre docentes de modo que possamos todos nos desafiar constantemente na formação de cidadãos culturalmente conscientes e ativos.


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Marina Dalbem

Co-CEO do Edify Education, bacharel em Economia pela PUC-RJ e com MBA em Administração de Empresas pela The Wharton School.

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